quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

VALENTINE'S DAY: PORQUE OS NAMORADOS SÃO LEMBRADOS NO DIA DE SÃO VALENTIM

Há exatos nove anos eu voltava de uma incrível viagem à Galícia e Portugal. Aquela foi a primeira vez que ouvi falar em Dia de São Valentim, pois no Brasil ainda não se falava em “Valentine's Day”. Lembro de ver as pessoas se mobilizando para celebrar a data no dia anterior à minha volta. Me diziam: -Mas você não vai passar o Dia de São Valentim aqui? E eu lhes respondia que já era casada e que meu namorado estava no Brasil.  
A razão pela qual celebra-se os namorados no dia de São Valentim é cativante. Segundo o que me contaram os portugueses, São Valentim foi um bispo que lutou contra as ordens do imperador Claudio II, que havia proibido a celebração de casamentos durante as guerras, pois acreditava que os homens solteiros eram melhores combatentes que os casados. 
Valentim, contrariando as ordens do imperador, continuou a celebrar casamentos, mas foi descoberto, preso e condenado à morte. Na prisão, Valentim recebia muitas flores e bilhetes de jovens apaixonados. Enquanto esperava o cumprimento da sua sentença, Valentim se apaixonou pela filha cega de um carcereiro da prisão e casou-se com ela. A moça, por milagre, recuperou a visão. Antes de sua execução, escreveu uma mensagem de adeus à amada, na qual assinava como “Seu Namorado” ou “de seu Valentim”. Por esta razão é que no dia em que celebra-se a morte de São Valentim os namorados trocam cartões, flores e bombons.
Achei tão linda a história de São Valentim e o modo como a data é celebrada, muito diferente do modo como comemoramos o Dia dos Namorados por aqui, exaltando mais o presente do que a data.  

domingo, 11 de fevereiro de 2018

SOBRE ENTROIDO E MEMÓRIAS INVENTADAS


Sou bisneta de um galego. Tenho mais no imaginário do que informação real sobre quem foi meu bisavô. Cada dia acho mais difícil distinguir o real do virtual. Nossas memórias são sempre, em certa medida, inventadas. Sou apaixonada pela língua, pelo folclore, pelo povo da Galícia. Dessa paixão nasceu meu livro mais recente, "A saia da Carolina". Hoje na Galícia é Entroido, o Carnaval Galego. Daqui do Brasil espio, admiro, me encanto e devaneio. Tudo isso pra mim é inspiração para histórias que espero brotar a partir de memórias que desejo tecer em sonhos. 

Se você ficou curioso, ficou curiosa, sobre o Entroido, dá uma espiada nesse link da Television da Galícia e se encante:  
http://www.crtvg.es/informativos/a-chuvia-non-puido-parar-as-celebracions-do-entroido-en-galicia

sábado, 10 de fevereiro de 2018

CHICÓ: UM GRANDE CONTADOR DE HISTÓRIAS - FILMES PARA UM CONTADOR DE HISTÓRIAS VER E AMAR


Dizem que um bom contador de histórias é também um bom mentiroso. Para Regina Machado (Acordais, 2004, p. 16), Chicó – memorável protagonista do Auto da Compadecida, obra do brilhante e divertido Ariano Suassuna, - “é sem dúvida um dos grandes contadores de histórias do nosso país”.
N’O Auto da Compadecida, Chicó narra suas aventuras com toda certeza do mundo de que tudo aquilo foi real. E quando lhe questionam como foi que ele resolveu a situação, ele responde com segurança: “Não sei, só sei que foi assim”. Chicó é um grande contador de histórias não porque mente, mas porque acredita nas histórias que conta.
O Auto da Compadecida narra as aventuras dos nordestinos João Grilo e Chicó. João Grilo é um sertanejo pobre e mentiroso e Chicó, o mais covarde dos homens. Juntos, os dois amigos lutam para conseguir o pão de cada dia, enquanto levam suas vidas enganando a todos no pequeno vilarejo de Taperoá, no sertão da Paraíba.
O Auto da Compadecida é uma história muito divertida e também emocionante, especialmente quando Nossa Senhora, a Compadecida, analisa a situação de cada personagem, buscando ver o melhor de cada um. Afinal, se todos temos defeitos, também temos virtudes.
Uma história que promete muitas risadas e muito aprendizado da arte de contar histórias com esses dois grandes enganadores que são João Grilo e Chicó. Há filmes que contadores de histórias precisam ver e O Auto da Compadecida, com certeza é um deles.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

PEQUENAS HISTÓRIAS (2007) - FILMES PARA UM CONTADOR DE HISTÓRIAS VER E AMAR

Já faz um tempo que assisti ao filme “Pequenas Histórias”. E vi várias vezes!! Quando meu filho mais velho era pequeno, se divertia com as aventuras do Zé Burraldo, uma das histórias narradas no filme. 
Pequenas Histórias é um filme emocionante e divertido. Na verdade, são quatro histórias comoventes e divertidas que compõem o filme. As histórias vão sendo narradas por uma mulher (lindamente interpretada pela Marieta Severo) que, na varanda de uma fazenda, conta as histórias enquanto costura retalhos que vão criando imagens. 
As quatro as histórias narradas, são: “E a água levou” (que narra a lenda da Iara), “Procissão das almas”, “O espírito do Natal” e “Zé Burraldo”. Pequenas Histórias é um filme para rir e se emocionar!! Há alguns filmes que contadores de histórias precisam ver e esse é um deles. 

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

A FAMÍLIA DIONTI (2017) - FILMES PARA UM CONTADOR DE HISTÓRIAS VER E AMAR


Certa vez a Bia Bedran, que é uma grande contadora e cantadora de histórias, anunciou (em sua página no Facebook) que iria passar na TV por assinatura um filme no qual ela havia participado. Por sorte coloquei o filme para gravar, porque este não é um filme para ser visto uma única vez. Além do mais, há filmes que contadores de histórias precisam ver e esse é um deles. 
“A Família Dionti” é uma história incrível, tecida e narrada num universo de realismo fantástico situado no interior de Minas Gerais, onde vive um pai e seus dois filhos. O filho mais novo sofre com a ausência da mãe que, segundo dizem, abandonou a família. O pai, porém, sempre afirmou que a mãe não os abandonou, que ela evaporou, virou chuva.
O menino tem medo de sofrer o mesmo destino da mãe, especialmente após conhecer uma garota recém chegada na cidade. A história é linda, a fotografia belíssima e o final surpreendente!! Super recomendo!! Uma história para quem gosta de histórias e de realismo fantástico. 

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

DIREITO INALIENÁVEL DO LEITOR Nº 8

Exerço muitos dos "Direitos Inalienáveis do Leitor". Na verdade, exerço todos eles. Mas penso que o direito que mais pratico é o de número 8, o "direito de saltar de livro em livro". Costumo terminar quase todos os livros que começo, mas leio muitos ao mesmo tempo, hábito que herdei da minha avó paterna. Atualmente estou relendo um e lendo outros dois (na verdade tem mais alguns ;). Sendo assim, são três os livros que leio mais intensamente nesse momento, "Tim Tim, um filho, uma mãe, dois nascimentos", da Genifer Gerhardt; "Tomo conta do mundo: conficções de uma Psicanalista", da Diana Corso e "A menina que decorava túmulos", do José Alberto Wenzel. Olhando assim podem parecer livros completamente distintos entre si, mas em mim eles se encontram em muitos aspectos. São três escritores que eu admiro cada vez mais, a cada linha. Três gaúchos (a Diana na verdade nasceu no Uruguai, mas mora no Brasil desde guriazinha), pessoas incríveis, gentis e habilidosas com as palavras. Escrevem em prosa poética, mesmo quando não intencionam. Uma lindeza!
Mas onde se encontram essas histórias, que são muitas em três? Dia desses li em uma das conficções da Diana Corso que "a voz materna não fala ao vento, sempre está a dizer do mundo e do seu amor a seu bebê". Bem, o nascimento da Genifer mãe fala o tempo todo sobre esse amor, que também é repleto de dúvidas, de cansaço, de olheiras. Uma leitura delicada, tão necessária quanto transformadora. No que se aproximam d'a menina que decorava túmulos(?), você deve estar pensando. Creio que se Vera e Violeta tivessem tido mães presentes e amorosas como Genifer é com seu Tim Tim, seriam outras. Mas se outras fossem, com menos dores, não comporiam a linda história que José Alberto nos traz, fazendo-nos olhar para a morte também com delicadeza e sensibilidade. Gosto de exercer o 8º direito inalienável do leitor, não vou abrir mão dele só por convenção, prefiro ler assim, entrelaçando histórias e afetos!!

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

MAIS UMA VEZ VOU BAILAR NA MESMA CURVA

Quando eu era adolescente meu primeiro grande desejo de assistir a uma peça de teatro foi "Bailei na Curva". General Câmara tem a mesma distância de Porto Alegre que tinha em 1984, com a diferença de que hoje tem uma ponte que passa sobre o Rio Jacuí. Naquela época era preciso atravessar de balsa. A aventura era bem maior e os recursos bem menores. Em 1984 eu acompanhava o universo cultural de Porto Alegre pela TVERS, que permitiu que aquela adolescente alimentasse muitos sonhos e desejos. Cresci e tive a sorte de 10 anos depois, já trabalhando e estudando em Novo Hamburgo, ver a primeira trupe se reunir para celebrar os 10 anos da peça. Realizei um sonho alimentado por 10 anos!! Nem sei se hoje os jovens são capazes de alimentar um sonho por tanto tempo. Os anos passaram e hoje o João, meu filho mais velho, está com a idade que eu tinha em 1984. Amanhã vou leva-lo para assistir ao Bailei na Curva, que está na programação do Porto Verão Alegre. Dá pra imaginar o tamanho da minha alegria e da minha emoção?!! Todas as experiências, quando permitimos, nos são transformadoras. Com certeza, depois de sexta-feira à noite eu serei outra pessoa!!